"Viajar me fez refletir que podemos fazer e ser mais do que somos"

Atualizado: 14 de Dez de 2020

Emerson Silva e a experiência de intercâmbio em Londres com a Soul Bilíngue e a OHC Oxford House

Por Emerson Silva*


De repente eu estava lá, no Aeroporto de Heathrow, em Londres, às 15 horas do horário local, depois de 12 horas de viagem, no dia 26 de outubro de 2019, recebendo o carimbo de estudante em meu passaporte e entrando, pela primeira vez, em outro país! E lembro-me como se fosse hoje do que passou em minha memória naquele dia. Lembrei-me do meu visto negado no Consulado Americano, minha viagem para o Canadá sendo adiada; do meu sonho que, naquele momento, estava começando a ser real; pensei na Soul Bilíngue, em Deus e meu coração encheu-se de gratidão; lembrei de onde eu vim, de onde eu tinha saído e me senti tão pequeno diante de tudo aquilo que se passava diante de mim. Mas eu estava lá, esperando minhas malas despachadas e meu coração começou a apertar, como um sinal de que os olhos, a qualquer momento, iriam se encher de lágrimas. Respirei fundo, segurei o choro, peguei minhas malas, procurei um banco no aeroporto e dei início à minha aventura fora do País. Dentro do metrô, em direção ao lugar da minha estadia, comecei a observar as pessoas ao meu redor, aquela língua diferente sendo falada e eu desejando poder trocar alguma palavra com eles, para ter a primeira experiência de uma conversa casual em inglês. Não foi preciso me adiantar, pois quando cheguei na Friendship House pude gastar bem meu inglês com o atendente - que sofreu muito para entender um inglês pré-intermediario e se fazer entender, o que foi difícil pra ele e muiito mais pra mim, que não compreendia aquele sotaque britânico evidente. Confesso que aquele final de semana, antes do início das aulas, foi um pouco decepcionante para mim em relação à comunicação, pois minha pronúncia não era clara aos nativos e eu apelava para a linguagem de sinais. Porém, o meu primeiro dia de aula na Oxford House College foi como um alívio, pois estava lá, com pessoas no mesmo nível que o meu, bem mais pacientes para se fazer entender e ansiosos para a prática do inglês. Finalizado aquele primeiro dia de aula, era a hora de almoçar. Arroz, feijão e um bom pedaço de mistura? Nem pensar! O almoço era somente um lanche com uma bebida, que podia ser encontrado em qualquer mercado de Londres, deu para se acostumar lanchando no almoço e almoçando no lanche. Coisas que outro país proporciona. Depois do "almoço", era a hora de visitar os lugares. Com meu caderninho de pontos turístico na mão, fui então visitar o Museu Britânico, e que lugar! Senti-me perdido naquela imensidão de conhecimento e ciência que até então só podia ver impresso na página de algum livro. Que sensação incrível! Foram lugares como esse, como a Casa de Jonh Wesley, o Museu Imperial da Guerra, a Abadia de Westminster, os Palácios de Buckingham e Kensington e a Tower Bridge que fizeram eu me apaixonar ainda mais por aquela história. Na última semana, parecia que eu morava em Londres há anos, conhecia os nomes das principais ruas, já sabia onde ficavam as principais lojas, os mercados e podia comprar qualquer coisa com facilidade, pedir informação sem medo de não ser entendido, conversar com as pessoas na rua; pedir para tirar foto, fazer piadas e falar sobre a vida com falantes do inglês. E por ser uma cidade muito cosmopolita, pude conhecer, nos parques e pontos turísticos, pessoas da Grécia, Itália, França, Japão, China e Brasil, é claro! Mas não posso também ser hipócrita em não dizer que o Brasil nos deixa saudades, e muitas. Por mais lindo e encantador que seja Londres, Oxford, Paris, lugares que eu tive o privilégio de conhecer nessa viagem, o povo brasileiro carrega peculiaridades: o contato, o sorriso, a alegria, a esperança de um futuro melhor, a persistência e, principalmente, o bem mais precioso que temos, a nossa língua, o nosso português. O intercâmbio nos proporciona essa epifania, essa revelação de olhar o outro, mas pensar em nós, refletir que podemos também e que somos capazes de fazer e ser mais do que somos, que podemos voar com liberdade, entrar e sair, atravessar as fronteiras, ser reconhecido mundo a fora, mostrar quem nós somos e do que somos capazes. *Emerson Silva, 25 anos, ganhou uma bolsa de estudos em Londres após participar do Preparatório Soul Bilíngue de Intercâmbio do primeiro semestre de 2019.

100 visualizações0 comentário